Sumário executivo
A Protea é um instituto de educação em ciência da computação com sede em Jacareí. Ensina online e presencialmente, começa por adultos e inteligência artificial, e desce a faixa de idade até a primeira infância à medida que a estrutura pedagógica amadurece.
A tese central é que nenhuma escola de tecnologia sobrevive bem de mensalidade sozinha no Brasil. A Protea nasce com três motores de receita desde o primeiro ano: pessoas que pagam pelo próprio aprendizado, organizações que pagam para formar equipes e cumprir currículo, e eventos que pagam por experiências tecnológicas — jogos, simulações, escape rooms — construídas pelos próprios alunos. O terceiro motor é o que diferencia a Protea das escolas de programação existentes: ele transforma o portfólio dos alunos em produto vendável e em mídia da marca ao mesmo tempo.
A janela de entrada é concreta e datada. A Resolução CNE/CEB nº 2/2025 tornou a computação obrigatória em todas as etapas da educação básica a partir de 2026, e a maioria das escolas não tem professor formado nem material para isso. Quem chega com trilha pronta, formação de docentes e material didático entra nas escolas agora, não em cinco anos.
A posição de largada
Três fatos mudam completamente a matemática deste plano em relação a abrir uma escola do zero: o espaço para as aulas presenciais já existe, os computadores já existem, e o capital vem de uma live com meta de R$ 50 mil — recurso próprio, sem dívida e sem sócio investidor. Sem aluguel e sem compra de equipamento, o custo fixo do primeiro ano cai para cerca de R$ 10,4 mil por mês e o ponto de equilíbrio para 22 alunos por mês. É uma barreira que duas turmas por mês já superam.
As cinco decisões que este plano toma
- Começar por adulto e IA, não por criança. O adulto decide sozinho, paga à vista, aceita turma curta e valida a marca em 90 dias. A criança exige coordenação pedagógica, matrícula anual, ambiente adequado e confiança dos pais — coisas que se compram com o caixa gerado pelo adulto.
- Registrar a marca antes de gastar em marca. Protea é palavra de dicionário (uma flor) e nome comercial usado em outros setores. Registrar em três classes no INPI custa R$ 1.320 em taxas; descobrir uma colidência depois de dois anos de investimento custa a marca inteira. É o primeiro cheque a assinar depois da live.
- Duas pessoas jurídicas, na hora certa. Uma empresa (Ltda. ou SLU) fatura cursos, empresas e eventos desde o Ano 1. Uma associação sem fins lucrativos entra no Ano 2–3, só quando houver histórico e prestação de contas para sustentar parcerias públicas e projetos de inclusão.
- Escola é canal, não concorrente. A Protea não abre uma escola regular para disputar aluno com o Alpha Lumen. Ela vende currículo, formação e plataforma para escolas — e mantém a unidade própria como laboratório e vitrine.
- Todo aluno sai com portfólio público. Projeto no GitHub ou ArtStation, perfil no app da Protea, currículo gerado pela plataforma. É o que converte formação em empregabilidade — e empregabilidade é o que faz empresa pagar e pai matricular.
Três coisas dependem de verificação antes de virarem compromisso: os preços praticados em Jacareí e São José dos Campos (as premissas aqui são estimativas de benchmark, não pesquisa de campo); a disponibilidade da marca Protea nas classes 41, 9 e 42 do INPI; e as exigências atuais do Conselho Estadual de Educação de São Paulo para diploma de curso técnico. Os três estão no plano de 90 dias da seção 15.
A marca e o registro
Protea é o nome de um gênero de flores que sobrevive ao fogo: depois de uma queimada, é uma das primeiras plantas a rebrotar. O gênero foi batizado por Linnaeus em homenagem a Proteu, o deus grego que mudava de forma para não ser capturado — porque as espécies do gênero variam tanto entre si que parecem plantas diferentes.
Para um instituto que ensina tecnologia, isso não é ornamento: é a tese pedagógica. A Protea não promete ensinar uma ferramenta, promete formar quem muda de forma quando a tecnologia muda. Isso deve aparecer no discurso, no currículo (por que ensinar lógica antes de linguagem) e na comunicação com pais e empresas.
Registro no INPI
A taxa do INPI passou a ser única em setembro de 2025 — não há mais pagamento separado na concessão. Para microempresa, EPP, MEI, pessoa física ou entidade sem fins lucrativos vale o desconto de 50%, que é o caso da Protea desde o primeiro dia.
| Classe | Cobre | Por que a Protea precisa | Taxa |
|---|---|---|---|
| 41 | Educação, formação, treinamento, entretenimento | Núcleo do negócio: cursos, oficinas, eventos, experiências | R$ 440 |
| 9 | Software gravado, aplicativos, jogos eletrônicos como produto | App Protea, jogo do Protea, jogos educacionais | R$ 440 |
| 42 | Desenvolvimento de software, SaaS, serviços de TI | Plataforma Protea Escola, desenvolvimento sob contrato | R$ 440 |
| 28 | Jogos, brinquedos, jogos de tabuleiro | Opcional — só se o boardgame for comercializado | R$ 440 |
| Total das três classes essenciais (41, 9, 42) | R$ 1.320 | ||
Use especificação pré-aprovada (R$ 440 por classe) e não livre preenchimento (R$ 860): o texto livre custa o dobro e é a principal causa de exigência formal. O prazo médio entre depósito e concessão é de 18 a 24 meses, mas a proteção retroage à data do depósito — o que importa é depositar cedo.
Sequência recomendada
- Busca de anterioridade na base do INPI, nas classes 41, 9, 42 e nas classes afins, antes de qualquer investimento em identidade visual. Protea é nome usado por empresas de outros setores; o risco real é colidência dentro da classe 41.
- Depósito de marca mista (nome + símbolo) e, se o orçamento permitir, também nominativa. A mista protege o conjunto visual; a nominativa protege a palavra em qualquer aplicação.
- Registro do domínio e dos perfis no mesmo dia do depósito, incluindo variações de grafia.
- Contrato de cessão de direitos com todo instrutor, aluno-desenvolvedor e parceiro que produzir material, jogo ou marca visual para a Protea. Sem isso, o jogo feito por um aluno em oficina não é da Protea e não pode ser vendido em evento.
Se a busca revelar marca anterior em classe 41 com nome idêntico ou muito semelhante, é mais barato ajustar o nome agora — por exemplo compondo (Protea Instituto, Protea Educação) e depositando o conjunto — do que descobrir isso com 300 alunos matriculados e material impresso.
Estrutura jurídica
A Protea precisa fazer coisas juridicamente incompatíveis: vender treinamento para empresa com nota fiscal e margem, e receber recurso público e doação para atender criança em vulnerabilidade. Isso não cabe num único CNPJ sem prejudicar um dos dois lados. A solução é uma estrutura em duas pernas, criadas em momentos diferentes.
Protea Educação Ltda.
Mês 1Fatura cursos, treinamentos corporativos, licenças de plataforma e experiências em eventos. Contrata instrutores, assina contratos comerciais, detém a marca e o código. Com um único sócio, a forma é SLU.
- Regime
- Simples Nacional, Anexo III
- CNAEs
- 8599-6/04, 8599-6/99, 6201-5/01, 8230-0/01
- Titular da marca
- Sim — registro no INPI sai neste CNPJ
Instituto Protea (associação)
Ano 2–3Recebe doação, patrocínio incentivado e recurso público. Executa projetos de inclusão: altas habilidades, neurodivergência, terceira idade, rede pública. Não distribui resultado.
- Forma
- Associação civil sem fins lucrativos
- Habilita
- Parcerias via MROSC (Lei 13.019/2014)
- Títulos possíveis
- OSCIP, utilidade pública municipal, CEBAS
Por que a associação não vem primeiro
Uma associação recém-criada não tem o que apresentar. Parceria pública sob o MROSC exige capacidade técnica comprovada, prestação de contas e, na prática, histórico. Os títulos que abrem portas — OSCIP, utilidade pública municipal, CEBAS — pedem tempo de funcionamento e documentação contábil que só existem depois de operar. Criar a associação no Ano 2, quando a empresa já tiver dois anos de turmas formadas e alunos atendidos, torna a qualificação viável em vez de teórica.
A relação entre as duas é formalizada por contrato: a associação contrata a empresa para execução pedagógica a preço de custo documentado, ou a empresa cede uso de plataforma e material. Sem esse contrato, a estrutura vira risco fiscal em vez de proteção.
O espaço das aulas precisa de contrato
O espaço já disponível é a maior vantagem competitiva do Ano 1 — e também um ponto de fragilidade jurídica se ficar informal. Formalize desde o início, mesmo entre pessoas próximas: contrato de comodato (cessão gratuita) ou locação com valor simbólico, em nome da empresa, com prazo definido. Isso resolve três coisas de uma vez: dá endereço fiscal ao CNPJ, permite alvará e licença de funcionamento, e evita que uma mudança de relação pessoal desmonte a operação no meio de um semestre letivo.
Diploma de curso técnico — o caminho real
Diploma de técnico não sai de um "selo do MEC" pedido diretamente. Em São Paulo, uma instituição privada precisa ser credenciada pelo sistema estadual de ensino (Conselho Estadual de Educação / Secretaria da Educação, via Diretoria de Ensino) e ter cada curso autorizado, alinhado a uma habilitação do Catálogo Nacional de Cursos Técnicos — por exemplo Técnico em Desenvolvimento de Sistemas ou Técnico em Informática. Isso exige plano de curso aprovado, corpo docente habilitado, laboratórios, regimento escolar e acervo. É trabalho de 12 a 24 meses e por isso está no horizonte longo, não no médio.
No caminho, há um degrau intermediário legítimo e imediato: cursos livres de qualificação profissional emitem certificado de conclusão válido para o mercado, sem credenciamento. É com eles que a Protea começa. Já a alternativa mais rápida ao diploma próprio é a parceria com uma escola técnica já credenciada, em que a Protea entrega o conteúdo e a escola emite o diploma — vale avaliar isso antes de abrir processo próprio.
Mercado e oportunidade
Jacareí tem 240.275 habitantes (Censo 2022) e PIB per capita de R$ 81.960 (2023) — acima da média nacional, puxado pelo parque industrial. Mas o mercado relevante da Protea não é a cidade: é o eixo. Jacareí fica a cerca de 15 km de São José dos Campos (697.054 habitantes, PIB per capita de R$ 88.077, ITA, INPE, Embraer e um parque tecnológico com mais de 300 empresas), dentro de uma região metropolitana de aproximadamente 2,6 milhões de pessoas.
O que essa posição significa na prática
- Jacareí é a base de aluno presencial. Cidade média, sem escola de programação consolidada, com famílias que hoje precisam levar o filho a São José dos Campos para ter aula de robótica. Proximidade vira vantagem real quando a decisão é semanal e envolve deslocamento de criança.
- São José dos Campos é a base de cliente corporativo. É lá que estão as empresas com orçamento de treinamento e o parque tecnológico. Treinamento in-company acontece no cliente — a distância não é obstáculo para essa linha de receita.
- O online não tem fronteira. Cursos curtos ao vivo atendem todo o Vale, o litoral norte e o resto do país sem custo adicional de estrutura. É a linha que mais rápido escala a partir de uma cidade média.
- O custo é menor e a margem, maior. Aluguel, mão de obra e custo de vida em Jacareí são menores que em São José dos Campos, mas o preço praticado pode acompanhar o eixo. Essa diferença é margem.
Quatro janelas abertas ao mesmo tempo
Computação obrigatória nas escolas
AgoraA Resolução CNE/CEB nº 2/2025 tornou a computação obrigatória em todas as etapas da educação básica a partir de 2026, nos três eixos: pensamento computacional, mundo digital e cultura digital. Para a rede pública, o cumprimento se articula ao VAAR do Fundeb. O gargalo declarado das escolas é professor formado e material didático — exatamente o que a Protea pode vender.
Neurodivergência em escala
CrescenteAs matrículas de estudantes com TEA na educação básica passaram de 636.202 (2023) para 918.877 (2024) — alta de 44,4% em um ano. A educação especial chegou a 2,1 milhões de matrículas. A demanda por atendimento qualificado cresce muito mais rápido que a oferta de equipe preparada.
Terceira idade conectada, não fluente
SubatendidaO uso de internet entre pessoas de 60 anos ou mais chegou a 74,5% no Brasil, segundo o IBGE. O acesso deixou de ser o problema; a competência é. É um público com tempo, renda própria e nenhuma oferta de curso desenhada para ele em tecnologia.
Games como indústria, não hobby
ConsolidandoA gamescom latam 2026 fechou com mais de 154 mil visitantes em São Paulo, e o Brazil Games levou 35 títulos indies brasileiros à gamescom em Colônia. Existe circuito, existe curadoria e existe público pagante para experiência interativa — o canal por onde o portfólio dos alunos vira receita.
As duas primeiras janelas se fecham: quem entrar nas escolas em 2026–2027, com material pronto, ocupa o espaço antes de a rede padronizar fornecedor. As duas últimas são estruturais e permitem entrada mais tarde.
Concorrência e posicionamento
| Quem | O que faz bem | Onde a Protea entra |
|---|---|---|
| Instituto Alpha LumenSão José dos Campos · sem fins lucrativos | Escola regular para altas habilidades, do infantil ao médio; 540 vagas presenciais e 5.000 no online; 60% de bolsistas; metodologia própria com núcleos acadêmico, socioemocional, STEAMS e social; parcerias internacionais. | Não disputar aluno de escola regular. A Alpha Lumen atende quem já foi identificado como alta habilidade, em jornada escolar completa, em outra cidade. A Protea atende contraturno e vida adulta, em Jacareí, com profundidade técnica em computação e sem exigir triagem prévia. |
| Redes de programação infantilSuperGeeks, Ctrl+Play, Kodland, MyRobot | Franquia com método padronizado, marca nacional, currículo pronto, forte captação de pais. Presença concentrada nas capitais e cidades grandes. | Currículo padronizado não cobre neurodivergência, altas habilidades, adulto, idoso, nem escola pública. E nenhuma delas leva o projeto do aluno para um palco pagante. Em Jacareí, o espaço presencial ainda está aberto. |
| Senac, SENAI, Fatec, ETECformação técnica | Diploma reconhecido, preço subsidiado, infraestrutura, empregabilidade estabelecida. | Ciclo lento de atualização curricular. IA aplicada, ferramentas atuais e formato de sala invertida com turma pequena são onde a Protea é mais rápida. |
| Cursos online de IAAlura, Udemy, DIO, criadores | Escala, preço baixo, catálogo enorme, acesso imediato. | Conclusão baixíssima e nenhuma presença física. A Protea vende o que vídeo não entrega: turma, prazo, mentoria e projeto que vai para o portfólio. |
Sobre "ser melhor que o Alpha Lumen"
Vale traduzir a ambição em algo mensurável, porque comparação direta não se aplica: o Alpha Lumen é uma escola regular sem fins lucrativos, financiada por mensalidade cruzada com bolsa e por doação. Copiar esse modelo exigiria virar escola regular, credenciada, com 60% de bolsistas — outro negócio, com outro capital.
A ambição faz sentido reformulada em três metas próprias: alcance (atender mais pessoas por ano do que as 540 vagas presenciais de uma escola regular, o que a estrutura de cursos curtos permite já no Ano 2); faixa (cobrir dos 3 aos 70+, coisa que uma escola de educação básica não faz); e saída (percentual de alunos que terminam com projeto público, emprego ou startup). Essa é uma disputa que a Protea pode ganhar de fato.
A frase de posicionamento
A Protea é onde se aprende a tecnologia por trás das experiências que encantam — e onde o que se aprende volta a ser experiência para outra pessoa.
Unidades de negócio
Nove frentes, cada uma com público, receita e momento de entrada próprios. A ordem não é preferência: é dependência de caixa e de estrutura.
1 · Protea Adulto
CurtoCursos curtos e formações longas em IA aplicada, desenvolvimento, dados e fundamentos de computação. Presencial em turma pequena e online ao vivo. Sala invertida: teoria antes da aula, aula para construir.
- Receita
- Curso avulso e mensalidade
- Papel
- Gera o caixa que financia o resto
2 · Protea Empresas
CurtoTurmas fechadas in-company, trilhas personalizadas dentro do app com a área da empresa, acesso a perfis de alunos compatíveis, publicação de vagas e cotrilhas de treinamento. Foco no eixo Jacareí–São José dos Campos.
- Receita
- Projeto fechado + assinatura anual
- Chave
- Ticket alto, ciclo de venda longo
3 · Protea Experiências
CurtoAtivações tecnológicas em eventos: jogos feitos por alunos e startups parceiras, instalações interativas, simulações, arte generativa, escape room com tecnologia própria. Vende-se ao organizador, ao patrocinador ou por bilheteria.
- Receita
- Cachê por ativação
- Duplo ganho
- Receita + mídia da marca
4 · Protea Kids & Teens
MédioTrilha por faixa de idade, da programação desplugada à produção com tela de qualidade. Cultura maker, projeto por bimestre, avaliação por portfólio. Matrícula com mensalidade, contraturno escolar.
- Receita
- Mensalidade + matrícula
- Exige
- Coordenação pedagógica dedicada
5 · Protea Escola
MédioCurrículo de computação pronto para escolas particulares cumprirem a BNCC Computação: trilha por ano, material do aluno, formação continuada dos professores e plataforma de jogos por matéria.
- Receita
- Contrato mensal por escola + licença
- Chave
- Receita recorrente e previsível
6 · Protea Inclusão
MédioTurmas e acompanhamento para altas habilidades, TDAH, TEA e outras neurodivergências, com psicólogo na equipe e atividades desenhadas para irmãos e famílias participarem juntos.
- Receita
- Mensalidade, convênio, projeto incentivado
- Exige
- Equipe multidisciplinar — não improvisar
7 · Protea Sênior
MédioTrilha de tecnologia para 60+: celular e computador com autonomia, serviços digitais, segurança contra golpe, IA como assistente. Turmas em ritmo próprio, material com tipografia e contraste adequados.
- Receita
- Curso trimestral, convênio e patrocínio
- Chave
- Baixo custo, alta fidelidade e indicação
8 · Protea Público
LongoProgramação e robótica na rede municipal conforme a BNCC, formação de professores da rede e montagem de equipes de robótica para campeonatos como OBR e FIRST LEGO League. Começar por Jacareí, onde a escala é administrável.
- Receita
- Contrato público e emenda
- Exige
- Associação, certidões, licitação
9 · Protea Labs
LongoAceleração dos projetos dos alunos até startup: jogos, ferramentas educacionais, produtos para eventos. A Protea participa como sócia minoritária ou parceira de desenvolvimento, e os produtos abastecem as unidades 3 e 5.
- Receita
- Equity, royalties, coprodução
- Chave
- Fecha o ciclo aluno → produto → receita
As nove unidades não são um catálogo: são um ciclo. O adulto paga o caixa que sustenta a criança. A criança e o adolescente produzem jogos. Os jogos alimentam as experiências em evento e a plataforma vendida às escolas. As escolas e as empresas geram receita recorrente e vagas. As vagas atraem mais alunos adultos. Quebre qualquer elo e as outras unidades ficam mais caras.
Metodologia e trilhas por idade
Duas escolhas metodológicas atravessam tudo. A primeira é sala invertida: o conteúdo expositivo vai para antes da aula (vídeo curto, leitura, exercício de aquecimento) e o tempo com o instrutor é gasto construindo, depurando e defendendo o que foi feito. Isso muda o custo: a hora do instrutor passa a valer mais, o material precisa existir antes da turma abrir, e a turma tem que ser pequena.
A segunda é tela por último, inspirada na abordagem finlandesa de introduzir pensamento computacional sem computador. Lógica, sequência, condição, repetição e depuração são conceitos, não ferramentas — e podem ser ensinados com corpo, cartas, tabuleiro e material concreto. A tela entra quando acrescenta algo que o concreto não dá.
Avaliação
Não há prova como instrumento principal. Cada aluno mantém um portfólio versionado: o que construiu, o que quebrou, o que consertou e como explica. Três razões: é o que empresa olha na contratação, é o que alimenta o perfil no app, e é o único formato de avaliação que funciona igualmente bem para uma criança de 8 anos, um adolescente com TDAH e um adulto em transição de carreira.
Sobre a equipe de inclusão
Atender altas habilidades e neurodivergência sem equipe preparada produz dano, não impacto. O mínimo viável para abrir a unidade 6 é: coordenação pedagógica com formação em educação especial, psicólogo com carga horária dedicada (não sob demanda), instrutores treinados em adaptação de atividade e turmas reduzidas com registro individual de progresso. Antes disso, a Protea pode incluir alunos neurodivergentes nas turmas regulares com adaptação — o que é diferente de anunciar um programa especializado.
Produto digital
O app da Protea não é uma conveniência administrativa. É o que segura o aluno depois do curso e o que faz a empresa pagar assinatura. Ele é construído em quatro camadas, na ordem em que geram receita — e a primeira delas não envolve escrever código.
Camada 1 · Trilha e progresso
Ano 1Material da sala invertida, entrega de exercício, presença, progresso na trilha. Começa num LMS de mercado configurado, a menos de R$ 1 mil por mês — não vale escrever código próprio antes de haver aluno suficiente para justificar.
Camada 2 · Perfil e portfólio
Ano 2Perfil público do aluno com os projetos que desenvolveu, puxando preview de GitHub e ArtStation por API sem hospedar o conteúdo. Gerador de currículo com os cursos concluídos e o nome da Protea. É a peça que transforma formação em prova.
Camada 3 · Jogos
Ano 2–3Jogo do Protea liberado a partir dos 7 anos, com progressão ligada à trilha. Boardgame físico para menores de 7. Depois, catálogo de jogos por matéria — o produto que vai para as escolas.
Camada 4 · Empresas e vagas
Ano 3Área da empresa com trilha personalizada, busca de perfis compatíveis, publicação de vagas e painel de resultados da equipe treinada. É a camada que sustenta assinatura anual.
Protea Escola: o modelo americano, traduzido
O modelo que a Protea quer trazer existe e é operado por plataformas como a Legends of Learning: a escola ou o distrito paga uma licença, os professores atribuem jogos alinhados ao conteúdo da matéria, e a plataforma remunera os desenvolvedores conforme o uso. Na Legends of Learning, o plano por professor fica em torno de US$ 790 ao ano e o plano por escola em torno de US$ 4.450 para 400 a 1.000 alunos; a remuneração ao desenvolvedor é estimada a partir da receita da plataforma, da avaliação do jogo e do tempo histórico de jogo por tópico. O pipeline de produção é curto e contratado: escolha de tópico, documento de design em 7 a 10 dias, jogo completo em 10 semanas, revisão em 14 dias.
Traduzir isso para o Brasil exige três adaptações e uma decisão.
- Alinhamento à BNCC, não a padrões americanos. Cada jogo precisa apontar para habilidade nomeada da BNCC — é isso que o coordenador pedagógico compra.
- Preço em outra escala. Uma licença de R$ 9 mil ao ano por escola é realista aqui; US$ 4.450 não é.
- Catálogo mínimo antes de vender. Nenhuma escola assina por 3 jogos. É preciso um catálogo inicial coeso por matéria e ano.
A decisão é não publicar na plataforma americana como estratégia de receita. Vale publicar um ou dois títulos para aprender o pipeline, a curadoria e as métricas — como pesquisa e crédito de portfólio. Mas construir o modelo fechado da Protea, com os jogos dos próprios alunos e das startups do Protea Labs, é o que gera ativo. Publicar de fora, competindo por minutos de jogo com estúdios americanos, é o que gera centavos.
Escape room e experiências
O escape room é a demonstração pública da tese: um espaço onde a tecnologia desenvolvida pela Protea é o próprio entretenimento. Ele serve como produto vendável (a organizadores de evento, a empresas em ação de team building, a escolas em passeio), como vitrine da marca e como laboratório onde os alunos veem seu código operando com público real. Comece como módulo transportável para eventos, não como instalação fixa: o custo é uma fração e a taxa de uso é muito maior.
Roadmap por horizonte
Quatro fases, cada uma com um portão de decisão. O portão não é uma data: é uma condição. Se a condição não for atendida, a fase seguinte não abre — e isso é uma proteção, não um atraso.
A live e a largada
- Live de arrecadação com meta de R$ 50 mil. A live não é só captação: é o primeiro ato de marketing da marca e a primeira lista de contatos. Trate as contrapartidas como pré-venda — vaga em turma piloto, oficina para a família, menção como apoiador fundador.
- Empresa constituída, contador contratado, conta pessoa jurídica aberta.
- Busca de anterioridade e depósito da marca no INPI, nas classes 41, 9 e 42.
- Contrato de comodato ou locação do espaço das aulas, em nome da empresa.
- Trilha e material de sala invertida dos dois primeiros cursos curtos escritos por inteiro, antes de abrir matrícula.
- Turma piloto com preço promocional, tendo depoimento e autorização de imagem como contrapartida.
Capital efetivamente em caixa (mesmo que abaixo da meta — o plano funciona a partir de cerca de R$ 30 mil, com marketing reduzido); marca depositada; espaço formalizado; turma piloto concluída com pelo menos oito alunos e depoimentos gravados.
Provar a operação
- Catálogo de cursos curtos para adultos, com foco em IA aplicada, presencial em Jacareí e online ao vivo para todo o Vale.
- Primeira formação longa estruturada — trilha completa, material pronto antes de abrir matrícula.
- Trilhas corporativas fechadas com as primeiras empresas, priorizando o eixo Jacareí–São José dos Campos e o parque tecnológico.
- Primeiras participações em evento: quatro ativações, ainda com tecnologia de terceiros ou protótipo próprio.
- Aproximação formal ao PIT e primeiro contato com a EMB em Campos do Jordão.
Cursos curtos com ocupação média acima de 75%; formação longa com turma completa e evasão abaixo de 20%; pelo menos quatro contratos corporativos fechados; caixa suficiente para três meses de operação. Sem coordenação pedagógica contratada, a trilha infantil não abre.
Descer a idade e entrar nas escolas
- Abertura das trilhas infantil e adolescente com a escada de idade da seção 7; cultura maker e programação desplugada implantadas.
- Segundo espaço alugado, quando a agenda da sala atual estiver cheia — e só então.
- Boardgame Protea produzido para menores de 7 anos; jogo do Protea liberado no app a partir dos 7.
- Camada de perfil e portfólio no app, com preview de GitHub e ArtStation e gerador de currículo.
- Protea Escola vendido às primeiras escolas particulares de Jacareí e região como solução de BNCC Computação, com formação de professores incluída.
- Protea Sênior em operação, em turmas trimestrais.
- Instituto Protea constituído como associação; início do processo de qualificação (utilidade pública municipal, depois OSCIP).
- Parceria com o PIT formalizada; parceria com a EMB desenhada como experiência conjunta.
Base de alunos infantojuvenil estável com evasão anual abaixo de 25%; pelo menos três escolas contratantes renovando; equipe de inclusão completa (coordenação em educação especial + psicólogo dedicado); catálogo mínimo de jogos por matéria pronto e testado em sala.
Institucionalizar
- Credenciamento junto ao sistema estadual de ensino e autorização de curso técnico do Catálogo Nacional — ou parceria com escola técnica já credenciada, se o caminho próprio se mostrar longo demais.
- Área de vagas no app e camada de empresas em assinatura anual.
- Entrada na rede municipal de Jacareí com programação e robótica conforme a BNCC, e equipes de robótica competindo em OBR e FIRST LEGO League.
- Plataforma Protea Escola licenciada com catálogo próprio de jogos e remuneração de desenvolvedores por uso.
- Protea Labs em operação: primeiras startups formadas por alunos, com participação da Protea.
- Unidade-modelo em escola parceira, como laboratório e vitrine da metodologia.
- Escape room permanente ou itinerante, com receita própria.
Receita recorrente (mensalidades + contratos de escola + assinaturas corporativas) cobrindo 100% do custo fixo, para que evento e projeto público deixem de ser necessários ao equilíbrio e passem a financiar expansão.
A parceria com a EMB, em detalhe
A Escola de Magia e Bruxaria funciona em Campos do Jordão — a cerca de 100 km de Jacareí, dentro da mesma região — como imersão de quatro dias em castelo, com atividades no estilo LARP, atores profissionais em personagem e um ingresso na faixa de R$ 3,6 mil incluindo hospedagem, alimentação e kit. O público está disposto a pagar caro por experiência e chega já encantado.
A proposta da Protea é dupla, e a segunda metade é o que importa. Primeiro, construir a tecnologia que amplifica a magia: objetos que reagem, salas que respondem, feitiços que produzem efeito rastreado, painel de casas em tempo real. Depois, oferecer aos participantes o caminho para descobrir como aquilo funcionava — trilha da Protea que ensina eletrônica, sensores, programação e design de interação usando como material didático a experiência que eles acabaram de viver. A EMB ganha diferencial e a Protea ganha um funil de alunos já convencidos de que a tecnologia é encantadora. Vale explorar o mesmo desenho com outros produtos de experiência da região.
Receita e precificação
| Linha | Formato | Preço de referência | Entra |
|---|---|---|---|
| Curso curto presencial | 24h, turma de 12 | R$ 850 – 970 | Ano 1 |
| Curso curto online ao vivo | 20h, turma de 20 a 25 | R$ 470 – 540 | Ano 1 |
| Formação longa adulto | 9 meses, mensalidade | R$ 650 – 760/mês | Ano 1 |
| Treinamento in-company | 16h fechadas, até 15 pessoas | R$ 11.000 – 15.000 | Ano 1 |
| Ativação em evento | Cachê por evento | R$ 12.000 – 18.000 | Ano 1 |
| Kids & Teens | Contraturno, mensalidade | R$ 400 – 440/mês | Ano 2 |
| Protea Sênior | Curso trimestral, turma de 15 | R$ 790 – 850 | Ano 2 |
| Protea Escola (BNCC) | Contrato mensal por escola | R$ 3.000 – 3.400/mês | Ano 2 |
| Licença da plataforma de jogos | Assinatura anual por escola | R$ 9.000/ano | Ano 3 |
| App Protea — módulo empresas | Assinatura anual | R$ 6.000/ano | Ano 3 |
| Contrato com rede municipal | Contrato anual | R$ 280.000/ano | Ano 3 |
Estes preços são estimativas de referência para o modelo, construídas por comparação com o que é praticado no mercado nacional. Não substituem pesquisa local: antes de publicar tabela, cheque o preço de cursos equivalentes em Jacareí e São José dos Campos (Senac, redes de programação infantil, cursos livres de IA) e a disposição a pagar das empresas do parque tecnológico. Uma diferença de 15% no preço médio muda o resultado do Ano 1 em cerca de R$ 60 mil.
Três princípios de precificação
- O adulto paga por resultado, a criança por confiança. Para adulto, o preço se justifica pelo projeto entregue e pela empregabilidade. Para pai, pelo ambiente, pela equipe e pelo acompanhamento — o que exige comunicação constante do progresso, não só uma boa aula.
- Contrato recorrente vale mais que ticket alto. Uma escola a R$ 3.200/mês por 10 meses vale mais que dois treinamentos corporativos de R$ 15.000, porque é previsível e permite planejar equipe. Priorize renovação sobre novo contrato.
- Evento não é receita de sobrevivência. É receita de oportunidade, sazonal e dependente de calendário alheio. Deve financiar investimento e produção de conteúdo — nunca folha de pagamento.
Projeções financeiras
Cenário-base, três anos, valores nominais. As premissas de volume estão na tabela de receita abaixo; toda linha é o produto de quantidade × preço, sem crescimento implícito. O Ano 1 assume espaço cedido sem aluguel e pró-labore de R$ 2.500 por sócio — as duas premissas que fazem o primeiro ano fechar positivo.
| Linha de receita | Ano 1 | Ano 2 | Ano 3 |
|---|---|---|---|
| Cursos curtos presenciais16 → 28 → 42 turmas de 12 | 163.200 | 302.400 | 488.880 |
| Cursos curtos online ao vivo14 → 26 → 42 turmas | 131.600 | 286.000 | 567.000 |
| Formação longa de adultos24 → 60 → 130 alunos | 62.400 | 357.000 | 889.200 |
| Kids & Teens0 → 110 → 240 alunos | — | 352.000 | 1.003.200 |
| Protea Sênior6 → 12 turmas de 15 | — | 71.100 | 153.000 |
| Treinamentos in-company5 → 12 → 22 projetos | 55.000 | 156.000 | 330.000 |
| Protea Escola — BNCC0 → 3 → 9 escolas | — | 90.000 | 306.000 |
| Experiências e ativações4 → 10 → 18 eventos | 48.000 | 150.000 | 324.000 |
| Contrato com rede municipal | — | — | 280.000 |
| Licenças da plataforma de jogos10 escolas | — | — | 90.000 |
| App Protea — módulo empresas6 empresas | — | — | 36.000 |
| Receita bruta | 460.200 | 1.764.500 | 4.467.280 |
| Custo | Ano 1 | Ano 2 | Ano 3 |
|---|---|---|---|
| Pró-labore dos sócios (2)R$ 2.500 → 6.000 → 10.000 cada | 60.000 | 144.000 | 240.000 |
| Equipe fixacoordenação pedagógica, adm., comercial | — | 91.000 | 230.100 |
| Instrutores horistasR$ 85–95/h + 25% de preparo | 94.350 | 441.000 | 956.175 |
| Psicólogo e acompanhamento | — | 24.000 | 72.000 |
| Aluguel de espaço adicionalsó a partir do Ano 2 | — | 66.000 | 132.000 |
| Ocupaçãoenergia, internet, limpeza | 21.600 | 28.800 | 43.200 |
| Marketing e captação8–9% da receita | 41.418 | 158.805 | 357.382 |
| Plataforma, LMS e ferramentas | 10.800 | 30.000 | 54.000 |
| Desenvolvimento do app Protea | — | 70.000 | 140.000 |
| Contabilidade e jurídico | 14.400 | 26.400 | 42.000 |
| Registro de marca (INPI + honorários) | 5.820 | — | — |
| Meios de pagamento4% da receita | 18.408 | 70.580 | 178.691 |
| Material didático e insumos | 18.000 | 55.000 | 120.000 |
| Depreciação | 2.800 | 18.000 | 42.000 |
| Contingência5% da receita | 23.010 | 88.225 | 223.364 |
| ImpostosSimples Anexo III nos Anos 1–2; Lucro Presumido no Ano 3 | 44.487 | 246.680 | 714.441 |
| Custo total | 355.093 | 1.558.490 | 3.545.353 |
| Resultado do exercício | +105.107 | +206.010 | +921.927 |
| Margem | +22,8% | +11,7% | +20,6% |
Cenários
O volume varia; a estrutura fixa não. É esse o teste que importa: no cenário conservador os custos fixos foram mantidos integralmente, para mostrar quanto a operação aguenta sem cortar.
| Ano | Receita | Resultado | Margem | Acumulado |
|---|
O cenário conservador — 30% menos alunos, menos empresas e menos eventos do que o previsto, com toda a estrutura fixa mantida — ainda fecha os três anos no positivo. Essa é a real vantagem de começar sem aluguel: a operação erra por 30% e sobrevive.
Investimento inicial e ponto de equilíbrio
Onde vão os R$ 50 mil
Meta da live- Marca no INPI (3 classes + honorários)
- R$ 5.820
- Constituição da empresa e contador
- R$ 2.500
- Adequação: rede, projetor, mobiliário
- R$ 8.000
- Kits maker, robótica, impressora 3D
- R$ 6.000
- Identidade visual, site e LMS (ano 1)
- R$ 6.000
- Campanha de lançamento
- R$ 8.000
- Reserva de caixa
- R$ 13.680
Ponto de equilíbrio
22 alunos/mêsCom custo fixo mensal de R$ 10.400 no Ano 1 e margem de contribuição de 57% por turma de curso curto presencial (receita de R$ 10.200 por turma, custo variável de R$ 4.424), a operação se equilibra com 1,8 turma por mês — cerca de 22 alunos.
- Custo fixo mensal
- R$ 10.400
- Margem de contribuição
- R$ 5.776/turma
- Turmas/mês no equilíbrio
- 1,8
Duas premissas, e elas têm data de validade. Se o espaço passasse a custar aluguel de mercado (cerca de R$ 4.500/mês) e o pró-labore subisse para R$ 6 mil por sócio já no Ano 1, o resultado cairia de +R$ 105 mil para aproximadamente −R$ 33 mil. Ou seja: o lucro do primeiro ano é, na prática, o valor do espaço cedido somado ao salário que os sócios deixam de tirar. Trate-o como capital reinvestido, não como lucro disponível.
Se a live não bater a meta. O plano funciona a partir de cerca de R$ 30 mil, cortando a campanha de lançamento pela metade e adiando os kits maker (que só são necessários na Fase 2). O item que não pode ser cortado é o registro da marca.
O teto do Simples. A receita do Ano 3 (R$ 4,47 mi) cai na última faixa do Anexo III, onde a alíquota efetiva chega a 18,5%. Migrar voluntariamente para o Lucro Presumido nesse patamar sai por cerca de 16,0% — economia de aproximadamente R$ 112 mil. A projeção já considera essa migração; a decisão precisa ser tomada com o contador no fim do Ano 2.
Equipe
A ordem de contratação é a ordem em que cada função destrava receita. Contratar fora de ordem é a forma mais comum de queimar caixa em escola nova — e com R$ 50 mil de largada, não há margem para esse erro.
| Função | Entra | Destrava |
|---|---|---|
| Sóciosdireção, comercial, pedagógico | Mês 1 | Tudo. No primeiro ano os sócios também dão aula — é isso que mantém o custo fixo em R$ 10,4 mil. |
| Instrutores horistas | Mês 4 | Capacidade de turma sem custo fixo. Contrate por trilha, não por vaga. |
| Administrativo e atendimento | Mês 12 | Matrícula, cobrança e retenção. Sem isso a evasão come o crescimento. |
| Coordenação pedagógica | Mês 13 | Trilha infantojuvenil, formação de instrutores, material. Pré-requisito da Fase 2. |
| Comercial B2B | Mês 16 | Contratos de escola e empresa. Ciclo de venda longo — comece antes de precisar. |
| Psicólogocarga dedicada | Mês 17 | Protea Inclusão. Não abra a unidade sem esta contratação. |
| Desenvolvimento de produto | Mês 20 | App e plataforma. Até aqui, LMS de mercado configurado. |
| Produção de experiências | Mês 26 | Ativações de tecnologia própria e escape room. |
Instrutor horista é a escolha estrutural que mantém o Ano 1 viável: o custo cresce com a turma, não antes dela. O contraponto é rotatividade e qualidade desigual — mitigados por material da sala invertida pronto (o instrutor executa uma trilha desenhada, não improvisa), formação interna obrigatória antes da primeira turma e avaliação por turma. Sem material pronto, o modelo horista degrada a qualidade em poucos meses.
Riscos
| Risco | Por que é sério | Mitigação |
|---|---|---|
| Perder o espaço das aulas | Todo o resultado do Ano 1 depende de não pagar aluguel. Uma mudança de relação, uma venda do imóvel ou uma exigência de regularização podem custar R$ 54 mil por ano de um dia para o outro. | Contrato de comodato ou locação simbólica em nome da empresa, com prazo definido e cláusula de aviso prévio longo. Verificar alvará e uso do solo antes de matricular a primeira turma. |
| Colidência da marca | Protea é palavra comum. Uma marca anterior na classe 41 obriga a renomear tudo depois de investir em identidade, material e reputação. | Busca de anterioridade antes de qualquer gasto com identidade; depósito nas três classes no mês 1; plano B de nome composto pronto. |
| A live não atingir a meta | Todo o cronograma de largada está dimensionado para R$ 50 mil. Arrecadar R$ 15 mil muda a fase 0 inteira. | Ordem de prioridade definida por escrito antes da live: marca, empresa e material vêm primeiro; kits e campanha são cortáveis. Contrapartidas como pré-venda geram caixa mesmo com meta parcial. |
| Dispersão | Nove unidades de negócio em três anos, com dois sócios que também dão aula. É o risco mais provável de todos: abrir a quarta frente antes de a primeira estar em regime consome o caixa das duas. | Os portões da seção 9 são regra, não sugestão. Uma frente nova só abre com a anterior em regime e caixa de três meses. |
| Dependência dos sócios | No primeiro ano, os sócios são o comercial, o pedagógico e boa parte da docência. Qualquer afastamento para a operação. | Material da sala invertida documentado desde a primeira turma; segundo instrutor formado por trilha antes de escalar. |
| Sazonalidade e evasão | Janeiro, julho e dezembro derrubam matrícula presencial. Curso longo tem evasão alta a partir do terceiro mês. | Colônia de férias e intensivos nos vales; check-in de progresso mensal; contrato semestral em vez de mensal na formação longa. |
| Mercado presencial menor | Jacareí tem um terço da população de São José dos Campos. A base de aluno presencial satura mais rápido do que numa cidade grande. | Online desde o primeiro mês, atendendo todo o Vale; B2B no eixo até São José dos Campos; segunda unidade só quando a agenda da primeira estiver cheia. |
| Ciclo do setor público | Contrato municipal depende de orçamento, licitação e ciclo eleitoral. Pode atrasar um ano inteiro sem aviso. | Nunca dimensionar equipe fixa contra receita pública prevista; tratar o contrato do Ano 3 como upside, não como base. |
| Atender inclusão sem equipe | Anunciar programa para altas habilidades e neurodivergência sem coordenação especializada e psicólogo produz dano ao aluno e risco reputacional grave. | Portão explícito na Fase 2: a unidade não abre antes das contratações. Até então, inclusão nas turmas regulares com adaptação. |
| Produto digital caro demais, cedo demais | App próprio no Ano 1 consome mais que todo o capital da live e não traz aluno nenhum. É o erro clássico de escola fundada por gente de tecnologia. | LMS de mercado até o mês 20. Só construir camada própria com base de alunos que a justifique. |
Indicadores
Poucos indicadores, revisados no mesmo dia de cada mês. Se um número não muda decisão, ele não entra nesta lista.
| Indicador | Como medir | Meta Ano 1 | Meta Ano 3 |
|---|---|---|---|
| Ocupação de turma | Matriculados ÷ vagas abertas | ≥ 75% | ≥ 85% |
| Custo de aquisição por aluno | Marketing ÷ novos alunos | ≤ R$ 180 | ≤ R$ 130 |
| Evasão na formação longa | Desistências ÷ matriculados no ciclo | ≤ 20% | ≤ 12% |
| Receita recorrente sobre o total | Mensalidades + contratos ÷ receita | ≥ 15% | ≥ 60% |
| Alunos com portfólio público | Concluintes com projeto publicado | ≥ 60% | ≥ 85% |
| Renovação de contratos B2B | Contratos renovados ÷ vencidos | — | ≥ 80% |
| Caixa livre | Meses de custo fixo cobertos | ≥ 3 | ≥ 6 |
| Indicação | % de novos alunos vindos de aluno atual | ≥ 20% | ≥ 35% |
Dois desses são os que realmente contam a saúde do negócio: receita recorrente sobre o total, porque mede se a Protea deixou de depender de venda avulsa; e alunos com portfólio público, porque é o único indicador que liga a promessa pedagógica ao resultado comercial. Se ele cair, a tese inteira do plano perde a base.
Os próximos 90 dias
Esta é a Fase 0 traduzida em tarefas. Três itens são verificações que podem mudar decisões grandes do plano — a busca da marca, a pesquisa de preço e as exigências do CEE-SP. Marque conforme avançar.
Fontes e premissas
O que foi verificado em fonte pública
- Taxas do INPI e prazo de análise — Custo do registro de marca no INPI em 2026; classes de Nice — classe 42 e classe 9, Gaviglia Advocacia.
- BNCC Computação e Resolução CNE/CEB nº 2/2025 — Observatório do Movimento pela Base e MoveEdu; Política Nacional de Educação Digital — Lei 14.533/2023.
- Credenciamento de instituições no sistema estadual — Conselho Estadual de Educação de São Paulo. Página não pôde ser lida automaticamente; confirmar exigências vigentes diretamente com o CEE-SP e a Diretoria de Ensino.
- Terceiro setor: MROSC, OSCIP, CEBAS e utilidade pública — guia básico da legislação do terceiro setor.
- Jacareí: população e PIB per capita — IBGE Cidades. São José dos Campos — IBGE Cidades. RM Vale do Paraíba com 2,59 milhões — O Vale / IBGE.
- PIT São José dos Campos: mais de 300 empresas, programas e residência — pitsjc.org.br.
- Instituto Alpha Lumen: modelo, vagas, bolsas e núcleos — Projeto Escola, Instituto Alpha Lumen.
- Legends of Learning: planos e programa de desenvolvedores — preços e portal do desenvolvedor.
- Escola de Magia e Bruxaria: formato, duração, idade e ingresso — Nova Jornada.
- Censo Escolar: matrículas TEA e educação especial — Inep.
- Uso de internet entre pessoas de 60+ — Ministério das Comunicações / IBGE.
- gamescom latam 2026 com mais de 154 mil visitantes — Olhar Digital; showcase indie brasileiro na gamescom — PocketGamer.biz.
- Robótica escolar: Olimpíada Brasileira de Robótica e FIRST LEGO League Brasil.
O que é estimativa deste plano, não dado verificado
- Todos os preços de curso e o custo-hora de instrutor: estimativas de benchmark. Exigem pesquisa local em Jacareí e São José dos Campos.
- Todos os volumes (turmas, alunos, escolas, eventos por ano): premissas de planejamento, não previsão. São a variável que os cenários testam.
- Espaço sem aluguel no Ano 1: premissa central do resultado. O plano quantifica o impacto de perdê-la na seção 11.
- Contrato com a rede municipal no Ano 3: valor ilustrativo. Depende de modalidade de contratação, orçamento e ciclo político.
- Cálculo tributário: alíquotas do Simples Anexo III e do Lucro Presumido aplicadas de forma simplificada, com ISS estimado em 2%. Precisa de validação do contador, inclusive quanto ao enquadramento das atividades no Anexo III e ao município de recolhimento do ISS.
Documento de trabalho, atualizado conforme o negócio avança. Os números do cenário-base foram calculados de forma consistente a partir das premissas declaradas na seção 11 — altere a premissa, não o resultado.